Suposto flagrante de vereador em Campo Grande expõe farra das diárias na Câmara de Bandeirantes
A política de Bandeirantes, município distante cerca de 70 quilômetros de Campo Grande
foi sacudida por uma nova polêmica envolvendo o uso de diárias pagas a vereadores para participação em cursos, reuniões e agendas oficiais na Capital.
O assunto, que já vinha gerando questionamentos sobre o custo real de manutenção do Legislativo municipal, ganhou ainda mais força após a viralização de um vídeo, na manhã de quarta-feira, envolvendo um vereador da cidade em uma situação de grande constrangimento em Campo Grande.
Segundo informações que circulam nas redes sociais e nos bastidores políticos, o parlamentar teria sido flagrado acompanhado de uma suposta amante durante uma viagem que, em tese, teria sido custeada com dinheiro público, sob a justificativa de participação em curso ou agenda parlamentar. O episódio teria terminado em discussão, confusão e agressão, sendo registrado em vídeo por pessoas que estavam no local.
As imagens rapidamente viralizaram e provocaram alvoroço em Bandeirantes. O caso reacendeu uma pergunta que a população já vinha fazendo há meses: as diárias pagas pela Câmara estão servindo ao interesse público ou viraram um mecanismo para aumentar a renda dos vereadores?
De acordo com informações já divulgadas pela imprensa estadual, cada vereador de Bandeirantes recebe salário mensal bruto de aproximadamente R$ 6.950,00. Esse valor, porém, pode crescer de forma significativa quando são somadas diárias e verbas indenizatórias pagas para deslocamentos, cursos, seminários, visitas a gabinetes políticos e agendas institucionais em Campo Grande.
Reportagem do Campo Grande News apontou que a Câmara Municipal de Bandeirantes gastou R$ 168.260,00 entre fevereiro e julho de 2025 em diárias para vereadores e servidores se deslocarem à Capital. Desse total, R$ 119.176,00 teriam sido destinados exclusivamente aos parlamentares. A mesma reportagem destacou que alguns deslocamentos receberam pagamentos entre R$ 458,00 e R$ 916,00, mesmo Bandeirantes estando a pouco mais de uma hora de Campo Grande.
Ainda segundo o levantamento, houve vereador que recebeu valores expressivos apenas em diárias durante o período analisado. O maior beneficiário citado na reportagem foi Gelson Guimarães, com R$ 25.966,00 em diárias entre fevereiro e julho de 2025. �
No centro institucional dessa crise está também a presidência da Câmara Municipal. Conforme consta no site oficial do Legislativo de Bandeirantes, Marcelo Soares Abdo, do PP, ocupa a função de presidente da Câmara. Documento publicado no Diário Oficial em janeiro de 2026 também registra Marcelo Soares Abdo como presidente da Câmara Municipal de Bandeirantes/MS.
camarabandeirantes.ms.gov.br · 1
Por isso, diante da repercussão do vídeo, das suspeitas envolvendo o uso de diárias e da pressão popular por esclarecimentos, cresce a cobrança para que a presidência da Câmara apresente informações claras, documentos, relatórios de viagem, certificados, justificativas e valores pagos aos parlamentares.
Em outro caso divulgado pela imprensa, foi apontado que um vereador de Bandeirantes, com salário base de R$ 6.950,00, teria somado R$ 14.960,00 em um único mês ao acumular pagamentos extras de deslocamento. Ou seja, em determinados períodos, a soma de salário e diárias pode fazer a remuneração mensal ultrapassar o dobro do vencimento base de um parlamentar.
É nesse contexto que o suposto flagrante ocorrido em Campo Grande ganha gravidade ainda maior. O problema não está apenas na vida privada do vereador, mas na suspeita de que uma viagem bancada pelo contribuinte, sob a justificativa de curso ou compromisso oficial, possa ter sido usada para finalidade particular.
Se confirmado que a ida à Capital foi custeada com dinheiro público e que a agenda oficial não correspondeu à real finalidade da viagem, o caso pode levantar questionamentos sobre possível desvio de finalidade no uso das diárias.
Além do vídeo, também circulam informações de que um áudio teria vazado, no qual o vereador supostamente buscaria apoio do presidente da Câmara e de outras lideranças para tentar retirar do ar uma matéria publicada por um veículo de Campo Grande sobre a confusão. Caso essa informação seja confirmada, a situação pode se tornar ainda mais grave, pois envolveria não apenas o uso questionável de verba pública, mas também uma possível tentativa de pressionar a imprensa.
A Câmara Municipal de Bandeirantes já havia se manifestado anteriormente sobre os gastos com diárias, afirmando cumprir exigências legais e justificando deslocamentos principalmente pela busca de emendas e agendas institucionais. No entanto, diante da nova repercussão, a sociedade cobra explicações mais detalhadas.
A população quer saber:
Qual curso o vereador foi fazer em Campo Grande?
A viagem foi paga com diária da Câmara?
Houve certificado de participação?
Qual foi o valor recebido?
A agenda teve finalidade pública real?
O dinheiro do contribuinte bancou hospedagem, alimentação ou deslocamento dessa viagem?
Houve tentativa de retirar matéria jornalística do ar?
A presidência da Câmara vai instaurar apuração interna?
Os relatórios de diárias serão disponibilizados de forma transparente à população?
Essas respostas são fundamentais porque diária não é salário, não é prêmio, não é bônus e muito menos renda extra para parlamentar. Diária é recurso público destinado a cobrir despesas necessárias ao exercício do mandato, sempre com finalidade pública, transparência e prestação de contas.
O episódio viralizado na manhã de quarta-feira trouxe à tona uma crise que vai além do constrangimento pessoal. Ele expõe um sistema de pagamentos extras que, embora possa estar amparado por normas internas, precisa ser fiscalizado com rigor quando passa a representar aumento indireto de remuneração.
Em uma cidade pequena, onde a população acompanha de perto a rotina política, o uso de dinheiro público para viagens à Capital precisa ser tratado com seriedade. Quando surgem vídeos, denúncias, áudios e suspeitas de uso particular de uma agenda oficial, o mínimo que se espera é transparência imediata.
O caso deve ser apurado pelos órgãos competentes, pela própria Câmara Municipal, pelo Ministério Público, pelo Tribunal de Contas e pela sociedade. A Câmara precisa apresentar de forma clara os relatórios de viagem, comprovantes, certificados, valores pagos e justificativas de todas as diárias concedidas.
Enquanto isso não acontece, permanece a suspeita de que o chamado “dispositivo das diárias” possa estar sendo usado como uma forma de complementar salários de vereadores do interior, com cursos e agendas que nem sempre entregam retorno concreto à população.
O dinheiro público pertence ao povo. E o povo de Bandeirantes tem o direito de saber se seus representantes estão viajando para trabalhar pelo município ou se estão usando o mandato para financiar interesses pessoais.
O espaço permanece aberto para manifestação do vereador citado, da presidência da Câmara Municipal de Bandeirantes, do presidente Marcelo Soares Abdo e de todos os envolvidos no episódio.
Fonte: Campo Grande News


Comentários (0)
Comentários do Facebook